A escolha entre ações ordinárias e preferenciais depende do que você busca como pessoa investidora. As ações ON oferecem direito a voto em assembleias e proteção via tag along em casos de mudança de controle. As ações PN priorizam o recebimento de dividendos, mas em geral não conferem poder de decisão na empresa. Não existe uma resposta única sobre qual escolher — a melhor opção varia conforme sua estratégia, horizonte de tempo e o que cada empresa emissora oferece.
Ao longo deste artigo, você vai encontrar uma comparação prática entre ações ON e PN, o impacto da governança corporativa na decisão, cenários reais de escolha com base em diferentes perfis de pessoas investidoras e fatores que vão além das definições tradicionais — incluindo temas como tag along e segmentos de listagem da B3 que costumam ficar de fora das análises mais comuns.

O que são ações ordinárias e preferenciais na bolsa de valores
Antes de comparar, vale entender o que cada tipo de ação representa e quais direitos confere a quem investe. As ações ON e PN têm funções distintas dentro da estrutura societária de uma empresa.
Ações ordinárias (ON): direito a voto e tag along
As ações ordinárias são identificadas pelo número 3 no final do ticker — como VALE3 ou PETR3. Quem as detém tem direito a voto nas assembleias da empresa, o que significa participar de decisões importantes como eleição de conselheiros ou aprovação de fusões.
Outro direito relevante vinculado às ON é o tag along. Trata-se de uma proteção legal para acionistas minoritários: em caso de mudança de controle da empresa, o novo controlador deve oferecer ao menos 80% do valor pago aos controladores anteriores. Esse mecanismo reduz o risco de quem investe de ser prejudicado por uma venda do negócio.
Ações preferenciais (PN): prioridade no recebimento de dividendos
As ações preferenciais aparecem com os números 4, 5 ou 6 no ticker — como PETR4 ou ITUB4. Sua principal característica é a prioridade no recebimento de dividendos: em caso de distribuição de lucros, as PN recebem antes das ON.
Em contrapartida, as PN em geral não conferem direito a voto. Existe, porém, uma exceção prevista em lei: se a empresa deixar de distribuir dividendos por três anos consecutivos, as ações preferenciais podem readquirir o direito a voto até que os pagamentos sejam retomados.
Diferenças entre ações ordinárias e preferenciais na prática
Conhecer as definições é o ponto de partida, mas a comparação prática entre ON e PN revela nuances que fazem diferença na hora de montar a carteira.
Os principais critérios que distinguem os dois tipos de ação são:
- Direito a voto: as ON conferem voto em assembleias; as PN, em geral, não
- Prioridade em dividendos: as PN recebem antes das ON na distribuição de lucros
- Tag along: garantido por lei para ON (mínimo de 80%); para PN, depende do segmento de listagem da empresa
- Liquidez: em empresas que emitem ambos os tipos, as PN tendem a concentrar maior volume de negociações — o que pode facilitar a compra e venda no mercado secundário
- Volatilidade: pode variar conforme a empresa, o setor e o momento do mercado, sem um padrão fixo entre ON e PN
- Perfil de quem investe: ON costuma atrair quem prioriza proteção e participação; PN, quem busca renda com dividendos
Nenhum dos dois tipos é superior ao outro de forma absoluta. O contexto da empresa, o segmento em que ela está listada e os objetivos de quem investe são os fatores que definem qual faz mais sentido em cada situação.
Como a governança corporativa influencia a escolha entre ON e PN
Um aspecto que poucos artigos abordam com profundidade é o papel da governança corporativa nessa decisão. E ele pode ser decisivo.
Empresas listadas no Novo Mercado da B3 só podem emitir ações ordinárias. Isso significa que, para quem investe nessas empresas, a escolha entre ON e PN simplesmente não existe — todas as ações conferem voto e tag along de 100%. Esse segmento reúne companhias com os padrões mais exigentes de transparência e proteção a acionistas minoritários.
No Nível 2, as empresas podem emitir ON e PN, mas ambas as classes têm direito a tag along de 100%. Já no Nível 1 e no segmento tradicional, as regras são mais flexíveis: o tag along para PN pode ser menor ou inexistente, o que representa um risco adicional em caso de mudança de controle.
Esse panorama mostra que a governança corporativa pode ser tão relevante quanto o tipo de ação na hora de decidir onde investir. Antes de olhar para o ticker, vale verificar em qual segmento a empresa está listada — essa informação muda o nível de proteção que você terá como acionista.

Ações ordinárias ou preferenciais: cenários para ajudar na escolha
A resposta para qual tipo de ação escolher não é única. Depende de fatores como perfil de risco, horizonte de tempo e o que a pessoa investidora espera daquele ativo na carteira.
Quando as ações ordinárias podem fazer mais sentido
As ações ON tendem a ser mais adequadas para quem tem uma visão de longo prazo e valoriza a proteção que o tag along oferece. Se a empresa vier a ser vendida ou passar por uma mudança de controle, quem detém ON tem garantia legal de receber uma oferta proporcional.
Também podem ser uma escolha mais alinhada para quem investe em empresas do Novo Mercado — onde só existem ON — ou para quem quer participar ativamente das decisões da companhia por meio do voto em assembleias. Uma pessoa jovem que está construindo patrimônio no longo prazo e prioriza proteção patrimonial poderia se identificar mais com esse perfil.
Quando as ações preferenciais podem ser mais interessantes
As ações PN costumam atrair quem busca renda recorrente por meio de dividendos. A prioridade no recebimento pode significar pagamentos mais frequentes ou volumes maiores em relação às ON, dependendo da política de cada empresa.
Para uma pessoa que já tem uma carteira consolidada e quer complementar a renda com proventos, as PN de empresas com histórico consistente de distribuição de lucros poderiam ser uma opção a considerar. A maior liquidez que as PN tendem a apresentar em empresas com ambas as classes também pode ser relevante para quem precisa de mais flexibilidade para entrar e sair de posições.
Fatores além do tipo de ação que podem influenciar sua decisão
A escolha entre ON e PN é importante, mas não deve ser o único critério na hora de investir em ações. Outros elementos pesam tanto quanto — ou mais — na qualidade do investimento.
Os principais fatores a considerar junto ao tipo de ação são:
- Saúde financeira da empresa: balanço sólido, geração de caixa e nível de endividamento
- Histórico de dividendos: consistência nos pagamentos ao longo dos anos, não apenas o valor mais recente
- Setor de atuação: setores mais regulados ou defensivos tendem a ter comportamentos distintos dos cíclicos
- Contexto macroeconômico: taxa de juros, câmbio e inflação afetam setores e empresas de formas diferentes
- Diversificação: combinar ON e PN de empresas distintas pode ser uma estratégia válida para equilibrar proteção e renda dentro da carteira de investimentos
Analisar o conjunto — e não apenas o sufixo do ticker — costuma levar a decisões mais consistentes. Para quem ainda está organizando as finanças antes de dar os primeiros passos na renda variável, o app do Mercado Pago, por exemplo, oferece funcionalidades como rendimento automático do saldo, o que pode ajudar a fazer o dinheiro trabalhar enquanto a pessoa se prepara para investir.
Perguntas frequentes sobre ações ordinárias e preferenciais
Qual a diferença entre ações ON e PN?
As ações ON (identificadas pelo número 3 no ticker, como VALE3) conferem direito a voto em assembleias e garantem tag along em caso de mudança de controle. As ações PN (com final 4, 5 ou 6, como PETR4) têm prioridade no recebimento de dividendos, mas em geral não conferem direito a voto.
Ações preferenciais pagam mais dividendos que as ordinárias?
As PN têm prioridade no recebimento, o que pode resultar em dividendos maiores ou mais frequentes. Porém, isso varia conforme a política de distribuição de cada empresa — não é uma regra universal.
É possível ter ações ordinárias e preferenciais da mesma empresa?
Sim, desde que a empresa emita ambos os tipos. Empresas listadas no Novo Mercado da B3, porém, só emitem ações ordinárias, então essa combinação não é possível nesse segmento.
O que é tag along e por que importa na escolha entre ON e PN?
O tag along é um mecanismo de proteção para acionistas minoritários em caso de mudança de controle da empresa. Para ações ON, a lei garante no mínimo 80% do valor pago ao controlador. Para PN, a proteção depende do segmento de listagem — no Nível 2, por exemplo, o tag along é de 100% para ambas as classes.
Ações preferenciais podem ter direito a voto?
Sim. Se a empresa não distribuir dividendos por três anos consecutivos, as ações PN podem readquirir o direito a voto. Esse direito se mantém até que os pagamentos sejam retomados.
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